Por Amanda Couto
No dia a dia das empresas, muitas relações comerciais começam de forma simples: uma boa conversa, confiança mútua e a sensação de que não é preciso “complicar”. Os contratos verbais surgem nesse contexto, quase sempre acompanhados da ideia de que formalizar tudo em um documento seria burocrático ou um custo desnecessário para o negócio.
Embora a lei reconheça a validade dos contratos verbais em algumas situações, a dificuldade aparece quando algo sai do esperado. Sem um registro claro do que foi combinado, prazos, valores, responsabilidades e formas de encerramento da relação passam a depender da interpretação de cada parte. O que no início parecia economia pode rapidamente se transformar em um conflito caro, desgastante e totalmente evitável.
No ambiente empresarial, essa informalidade cria uma falsa sensação de segurança. Quando surgem divergências, a gestão passa a gastar tempo e energia resolvendo problemas que poderiam ter sido prevenidos. Decisões ficam travadas, relações se desgastam e o foco deixa de estar no desenvolvimento do negócio para lidar com disputas que ninguém planejou enfrentar.
Formalizar contratos não é desconfiar da outra parte, mas agir com profissionalismo e visão estratégica. Um contrato bem elaborado coloca expectativas no mesmo nível, deixa claros os direitos e deveres de cada envolvido e reduz significativamente as margens para interpretações subjetivas. Mais do que um documento jurídico, o contrato passa a ser uma ferramenta de organização e gestão, oferecendo segurança para o dia a dia da empresa e apoiando a tomada de decisões.
Quando bem estruturado, o contrato também contribui para relações comerciais mais saudáveis e duradouras. Ele traz previsibilidade, facilita ajustes ao longo do caminho e protege a parceria em momentos de mudança ou crescimento do negócio. Assim, o contrato deixa de ser visto como um obstáculo e passa a funcionar como um aliado da estratégia empresarial.
É nesse contexto que a atuação preventiva do setor jurídico se torna essencial. Transformar acordos informais em contratos claros e bem definidos não é burocracia, é investimento. Um investimento que evita conflitos, preserva relações comerciais e permite que a empresa cresça de forma mais segura, organizada e sustentável.